Política PETROBRAS

Após demissão do presidente da Petrobras, ministro diz que governo não pode interferir em preços de combustíveis

Governo já trocou a presidência da Petrobras duas vezes neste ano, na tentativa de conter os preços. Adolfo Sachsida, das Minas e Energia, alega que União não pode fazer nada sobre os valores dos combustíveis, apesar de ser acionista majoritária.

Por Thais Welter

21/06/2022 às 14:54:39 - Atualizado há
Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta terça-feira, 21, durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que o governo não pode interferir nos preços dos combustíveis.

A declaração foi dada após o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, ter pedido demissão nesta segunda-feira, 20, em razão de pressões políticas feitas pelo governo e aliados. É a segunda vez que o governo federal troca a presidência da Petrobras neste ano, na tentativa de conter os preços.

"É difícil para a população entender por que o governo não interfere nos preços dos combustíveis. Não é possível interferir no preço dos combustíveis, não está no controle do governo. Preço é decisão da empresa, e não do governo. Temos marcos legais que impedem a interferência do governo, mesmo sendo acionista majoritário", disse o ministro.

O presidente Jair Bolsonaro já havia decidido tirar Mauro Coelho no comando da empresa e já havia escolhido o sucessor, Caio Paes de Andrade. Só que, em razão dos trâmites internos da Petrobras, a troca só seria efetivada após algumas semanas.

Nos últimos dias, Bolsonaro e aliados, entre eles o presidente ada Câmara, Arthur Lira (PP-AL), intensificaram a pressão para que Mauro Coelho pedisse para sair. Isso porque o presidente e sua equipe decidiram pôr na Petrobras a culpa pela disparada nos preços dos combustíveis.

Em reuniões internas do governo, Bolsonaro tem dito a auxiliares que novas altas dos combustíveis o farão "perder a reeleição". Por isso, segundo apurou o blog da Ana Flor, Bolsonaro disse que não quer novos reajustes no diesel, gasolina e gás de cozinha até a eleição, em outubro.

Na Câmara, Sachsida defendeu que a Petrobras faça "sacrifícios" para conter reajustes de combustíveis. Segundo ele, o governo e os estados já estão dando sua contribuição ao reduzir a tributação sobre a gasolina e o diesel.

"Os estados estão fazendo sacrifício, o Congresso e o governo, é natural que a Petrobrás também o faça. Essa decisão não é minha, é do presidente e do seu conselho e dos diretores. Um empresa com poder de mercado tem que preservar a marca. A reputação de uma empresa é fundamental. Se eu puder dar uma sugestão, temos a agenda de governança, social e ambiental, cabe a Petrobrás também valorizar essa empresa", declarou.

Fonte: Alexandro Martello, g1
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