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Aliados temem radicalização do governo se Mandetta for demitido da Saúde

Assessores do presidente disseram que, em momentos de irritação, Bolsonaro não descarta demitir seu ministro da Saúde.

Por Marcos Herbert em 30/03/2020 às 13:02:03
Foto: Adriano Machado/Reuters

Foto: Adriano Machado/Reuters

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro avaliam que o clima nos bastidores do governo será tenso nesta segunda-feira (30) diante do embate entre o chefe e seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A avaliação é a de que uma eventual saída de Mandetta do cargo poderá ter repercussões "imprevisíveis". Do lado do ministro, aliados temem uma radicalização do governo Bolsonaro caso Luiz Mandetta seja demitido do posto.

A saída do ministro, avaliam, poderia gerar uma reação de outros Poderes, como Legislativo e Judiciário, na tentativa de frear ações do Palácio do Planalto que coloquem a população em risco em meio ao combate ao coronavírus.

Mandetta tem dito a seus aliados que a situação está cada vez mais complicada. Inicialmente, o ministro tentou contemporizar – evitando criticar Bolsonaro diretamente –, mantendo a orientação do chamado isolamento social horizontal definido por sua equipe, enquanto o presidente vai na outra direção.

Em tensa reunião no último sábado (28) no Palácio da Alvorada, o ministro da Saúde deixou claro a Bolsonaro que não vai mudar a linha de orientação, mesmo que tenha que desautorizar publicamente o presidente da República.

Assessores do presidente disseram que, em momentos de irritação, Bolsonaro não descarta demitir seu ministro da Saúde. Porém, o presidente sabe ser uma aposta de alto risco e de repercussão muito negativa.

Mandetta não pretende pedir demissão. Diz que tem uma responsabilidade, como médico e técnico, com a população brasileira. Ou seja, só sai se for demitido pelo presidente da República.

O cenário é preocupante, na visão das cúpulas do Congresso Nacional e do Judiciário.

Ninguém acredita que o presidente baixe um decreto acabando com isolamento social, como ele chegou a dizer que estaria estudando no fim de semana. Tal medida iria contra a estratégia adotada até o momento pelo Ministério da Saúde.

Porém, caso Bolsonaro chegue a esse extremo, líderes dizem que decisão seria derrubada pelo Congresso Nacional, como já aconteceu com outros decretos presidenciais. Aí seria uma decretação de guerra aberta entre Palácio do Planalto e Legislativo.

Fonte: G1

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